Téo acorda deitado numa maca de hospital. A luz branca do teto é o primeiro sinal de que está vivo — ou pelo menos de que ainda existe. Não demora muito até que a porta se abra e um delegado entre, caderno na mão, olhar apurado, passos calculados. O interrogatório começa.
Não é apenas um. São muitos interrogatórios, repetidos com a persistência de quem sabe que algures há uma fissura na história contada. O delegado investigava há já algum tempo o desaparecimento de Breno, e as respostas de Téo, por mais bem construídas que sejam, não convencem totalmente. O silêncio entre as perguntas diz mais do que as palavras.
Pouco depois, Téo recebe alta. O primeiro impulso é ir ver Clarice. Ela está em coma — imóvel, presa entre o mundo dos vivos e o silêncio de um outro lugar. Os pais de Clarice estão lá, e a revolta nos olhos deles é palpável. Exigem explicações. Exigem verdades. Mas, por uma dessas ironias do destino que só o tempo explica, acabam por fazer amizade com Téo. A dor partilhada tem essa estranha capacidade de aproximar.